O espetáculo que nasce em dois minutos ou dois gols.

-Por todos nós-

25/05/2010

Os heróis de chuteiras

Os mitos são histórias construídas a partir de tradições, costumes e saberes que uma cultura produz geralmente para explicar a sua origem ou seu destino. Um exemplo muito comum das narrativas míticas é o herói. Seja para a antiguidade greco-romana ou para os estúdios de hollywood, este indivíduo, ainda que reuna capacidades extraordinárias que superam os desafios e problemas dos homens, não é imbatível.

A falha, o erro, ou a fraqueza apesar de parecer destruir a força do herói, na verdade constrói o mais profundo ponto de contato entre este ser detentor de qualidades suprahumanas e o homem.
O herói dos livros, quadrinhos ou cinema é semelhante ao 'ídolo real' - com certas ressalvas das proezas sobrenaturais - que muitas vezes ocupa os mesmo lugares que os próprios heróis.

A humanidade tanto do herói quanto do ídolo é o fator que cativa seus admiradores, seus fãs.

O mundo contemporâneo da pós (ou super) modernidade produz heróis/ídolos dos mais diversos tipos. Astros de cinema, cantores e até mesmo animais e pasmem, até políticos!

Mas certamente são poucos heróis/ídolos que se formam a partir de tanta devoção como os jogadores de futebol. Os grandes ídolos do futebol adquirem uma identidade que irmana seus fãs que são capazes de xingá-lo e aplaudí-lo na mesma partida. O jogador que faz o gol do título num dia e no outro perde o penalti que decide a eliminação de seu time. Nada mais que o Herói.


Entre o humano e o divino



Recentemente, o maior herói da história da Argentina, Maradona, que tem até uma igreja à prestar adoração a sua imagem, mergulhou numa aventura cujo capítulo final - que em breve será visto no mundo todo - irá certamente transformá-lo. Muito criticado pelo desempenho da seleção argentina, o atual treinador que já foi ídolo do seu país vestindo a camisa da equipe que agora dirige não será mais o mesmo. O herói tem dois caminhos pela frente. Um deles, a trilha da glória e honra, acima de tudo, poderá consagrá-lo definitivamente como uma divindade na terra platina para além daqueles mais fanáticos.
O outro caminho, de fracasso e humilhação, talvez esvazie os bancos da igreja maradonista e certamente dará chance para um substituto do trono de ocupa há mais de 20 anos. Mesmo um terceiro caminho com bravura e derrota não deixaria a imagem do ídolo intacta. O futuro é imprevisível para Maradona, mas é certo que os ventos tomarão uma outra direção.


O calcanhar de Zico

Ainda que discutível, é difícil não posicionar Zico e Maradona no panteão de ídolos do futebol. O 'Galinho de Quintino' não conquistou o mundo com a seleção a despeito de Dieguito. Na Copa do Mundo em que o argentino se consagrou, Zico foi castigado pelo penâlti perdido durante a partida semifinal que eliminou a equipe brasileira.

No entanto, os anos 1980 fez do Zico um herói rubro negro. Hexacampeão carioca, tricampeão brasileiro (sem contar a Copa União 1987) e campeão da américa e mundial em 1981. Zico foi o homem que transformou o futebol japonês e chegou a Turquia, já como técnico, para assumir o trono de Rei. Rei Artur.
Apesar das passagens pouco marcantes no Uzbequistão (2008), Rússia (2009) e Grécia (2009-2010), a sua imagem do grande ídolo flamenguista, e em certa medida, brasileiro está preservada.

A qualidade do Zico técnico é respeitada, ainda que não tão certa. Porém, há anos que a imprensa ventila um possível retorno daquele que foi o maior jogador da história do flamengo, o grande artilheiro do maracanã, o homem que em campo ora era arco (meia armador), ora era flecha (finalizador frio). A torcida se empolga com essa possibilidade.

Seja como técnico ou diretor de futebol, as portas da gávea parecem bem abertas ao Galinho.
Mas parece que este retorno não deve acontecer tão cedo. Se acontecer.
La Gazzetta dello Sport publicou hoje o interesse do Catania em levar o brasileiro ao comando técnico do time italiano. Para quem passou pelo terceiro e quarto escalão do futebol mundial, disputar o Calcio mesmo num time de menor expressão torna-se mais uma grande oportunidade ao treinador.

Ainda que estejamos no âmbito da especulação, o futuro de Zico mesmo que não seja a Itália tem poquíssimas chances de ser rubro-negro.


Em março deste ano foi firmada uma parceira entre o Flamengo e o CFZ (Clube Futebol Zico), em que atletas seriam negociados entre os clubes com vantagens proporcionais a cada uma das partes e transações.

No momento, a única parte de Zico dentro do gávea é este acordo.
Até na coordenação de torneios de futebol infantil na Disney, o ex-camisa da 10 da seleção participa, mas o Flamengo continua uma realidade vivida somente no passado e na paixão de torcedor.
Zico é um ídolo inquestionável entre os rubronegros. Será que o Galinho de Quintino está disposto a expor suas fraquezas, tal como está fazendo Dieguito?

Zico está preparado para estender seu passado de herói a um futuro tão incerto?

26/04/2010

O que é esse Futebol?

O futebol - fenômeno total, que entrelaça política, cultura, sociedade, religião, paixão, prazer e tudo aquilo que é mais humano - também é um negócio daqueles.

Sobre isso, mesmo entre os mais saudosistas, não há quem negue a sua faceta de mercadoria.

No entanto, o que se tem discutido são as consequências do futebol business para os diversos atores envolvidos, e ao meu ver, o grande desafio estaria em evitar as perversões sociais e éticas decorrentes do modelo de futebol atual.

A inspiração desse comentário provém de uma importante entrevista realizada por Débora Bergamasco e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.
O entrevistado: a revelação mais badalada do futebol brasileiro dos últimos anos, Neymar, 18.

Não me interessa aqui julgar a opulência e vaidade do jovem por seus brincos de ouro; imóveis e carros de luxo e cabelos alisados - afinal de contas, nisso ele não se difere de muitos outros jogadores badalados.

Não pretendo fazer uma síntese do ótimo trabalho de Débora, mas entendo como necessário mencionar duas passagens que me chamaram a atenção.

Farei isso de maneira bem cartesiana.

1. Já foi vítima de racismo?
(NEYMAR) Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?


2. Já tirou seu título de eleitor?
(NEYMAR)Não tirei. Nem queria, mas vou ter que tirar.


O que há de errado no que o garoto disse? Afinal de contas, é só um garoto.
Um garoto que pode comprar um carro, uma casa. Pode viajar, fazer filhos e fazer um gol de placa na final de um campeonato. Nada disso me interessa.

Um garoto que NEGA a própria cor de pele. Ele é um testemunho claro pra quem não vê e pra quem não quer ver o preconceito racial no Brasil.

A ilusão da informalidade da malandragem brasileira desfarça o teor de discriminação contido no "Eu não sou preto, né?".
A miragem da democracia racial omite a negação de sua cor ao criar categorias como "pardo" e "mulato". Neymar talvez não saiba o que é, mas sabe que negro não é.

Se existe alguma sutileza que dê outro sentido a fala de Neymar e que poderia até absolvê-lo, certamente só poderia ser percebida no instante que ele responde para a jornalista. Mas aparentemente, não é o caso.

Neymar é só um garoto. Um garoto que "TEM QUE TIRAR" título de eleitor. Um garoto que não sabe quem são os candidatos à presidência. Um ídolo de milhares de jovens iguais a ele. E também é um jovem comum.

O que há de grave nisso tudo?

Seria o Neymar uma exceção, ou todos esses jovens serão adultos mais conservadores que seus próprios pais? Foi até uma pergunta ainda não respondida que fiz a jornalista responsável pela entrevista. Grandes ambições materiais são marcas quase invariáveis nos jovens futebolistas brasileiros. Geralmente, vindos de uma trajetória de vida sofrida e muita superação, os novos talentos se arremessam no mar de riqueza tentando recompensar seu passado humilde.

Mas Neymar há muitos anos tem sido tratado como jóia rara no Santos, e já recebia salário de jogador profissional de primeira divisão do futebol brasileiro. Pressupõe-se que Neymar teria tido condições materiais de ter acesso aos diversos bens culturais inerentes a uma educação de um cidadão.

Não me interessa elaborar hipóteses sobre a formação do Neymar. Mas me interessa entender que lugar o futebol ocupa no meio disso tudo.

Neymar e tantos outros jovens ignoram o que há de mais importante na juventude. A capacidade de transformar. Ainda que, como já escrevi anteriormente, dentro das quatro linhas ele tem sido subversivo.
(Para saber mais, leia o artigo: A Nova Ordem do Futebol).

Aqui vale repetir uma ideia. O futebol é um espelho da sociedade.

O futebol não produz jovens que ignoram sua cidadania. E tampouco os transforma.

O Brasil, diz o ácido ditado popular, o país onde puta goza, cafetão tem ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita, ainda precisa construir uma instituição chamada democracia que depende de uma tradição chamada cidadania.

E o futebol? E Neymar?

Não podemos entender o futebol como uma janela transparente que reflita de forma isenta as tensões sociais.

Também não podemos ignorar o exemplo do Neymar como um reflexo dos problemas de ensino no Brasil.

Esse futebol, no mínimo, não interrompe a continuidade da reprodução de jovens tão alheios a realidade do seu país.

O que é esse futebol?


Confira a entrevista feita por Débora Bergamasco no Estadão.

08/04/2010

Resgate da memória

O pequeno e discreto Portal da Móoca, diferente dos demais sítios dos bairros paulistanos, não é um outdoor de banners dos serviços prestados da região. A simplicidade do layout esconde a riqueza do conteúdo ali disponibilizado.
Além de resgatar os registros dos ancestrais do bairro através dos relatos e fotos dos moradores mais antigos, o Portal divulga as atrações culinárias e as principais notícias relativas aos eventos da Móoca.

Para o AvessodoFutebol, o grande destaque do Portal é o acervo da memória do futebol da várzea da Móoca. Além de um pequeno histórico, o sítio exibe fotografias raras dos escretes cedidas pelos próprios moradores. Times como Cacau FC, Estrela da Mooca, Mem de Sá e até um Peñarol da Móoca. Ao todo são 37 equipes lembradas , além, claro, do maior time do bairro, o Juventus.

A iniciativa é um importante esforço no resgate da memória do bairro, e assim um recorte que contribui positivamente na elaboração do mosaico histórico da capital paulista, sem deixar de ser mais uma fonte interessante da memória do futebol aos apaixonados pelo esporte bretão.

Acesse: www.portaldamooca.com.br

06/04/2010

AS COPAS DO MUNDO E OS MUNDOS DAS COPAS – PARTE 6

NEOMUNDO

Futebol força e a Reconstrução da imagem das nações

1998

Sede: França

Participantes: 32

Campeão: França

Vice: Brasil

Artilheiro (Gols): Suker (6) - Croácia

Média de Público por partida: 43,5 mil

A copa da França já apontava mudanças importantes na Europa ocidental. Com a queda de crescimento vegetativo da população, houve um aumento das imigrações, sobretudo de africanos. Esse dado era perceptível na equipe francesa que contava com muitos negros. Nesse sentido, embora pouco aplaudida pela extrema direita, a conquista francesa proporcionou uma progresso na tolerância étnica e cultural em território francês. Para o Brasil, grande favorito, restou aguardar a continuidade do trabalho de sua seleção e do seu presidente então reeleito no mesmo ano.


2002

Sede: Coréia do Sul e Japão

Participantes: 32

Campeão (Vice): Brasil - (Alemanha)

Artilheiro (Gols): Ronaldo (8) - Brasil

Média de Público por partida: 42 mil

Depois de uma década de investimentos e incentivos, a Ásia seria sede da Copa do Mundo. Com a chegada de Zico no Japão no começo dos anos 90, o futebol se popularizou no país do baseball. No entanto, mais que explorar o novo mercado deste esporte, era preciso aproveitar a chance de consolidar a reação econômica à crise financeira do fim do século XX. Já o Brasil contava com uma seleção e um candidato à eleição mais carismáticos. O time de Felipão e o país de Lula abriam de fato o novo milênio para o Brasil.


2006

Sede: Alemanha

Participantes: 32

Campeão: Itália

Vice: França

Posição do Brasil: Quartas-de-final

Artilheiro (Gols): Miroslav Klose (5) - Alemanha

Média de Público por partida: 52,5 mil

A preocupação européia com o combate ao preconceito, em suas múltiplas formas, retorna na estigmatizada Alemanha. Uma avalanche de publicidade anti-racista percorre toda a competição. Era a copa da igualdade, mas ainda não era da paz. Sérvia e Montenegro jogavam por um país que havia sido dividido, e o Iraque em guerra não reuniu condições de disputar sua chance de ir a copa. O Brasil nunca fora tão favorito, assim como nunca fora tão vaiado com a eliminação acompanhada de fraco futebol.

30/03/2010

AS COPAS DO MUNDO E OS MUNDOS DA COPA – PARTE 5


MUNDO ESPETÁCULO

O Mercado da Bola (1986, 1990 e 1994)


1986


Sede: México

Participantes: 24

Campeão: Argentina

Vice: Alemanha Ocidental

Posição do Brasil: Quartas de final

Artilheiro (Gols): Gary Lineker (6) - Inglaterra

Média de Público por partida: 46 mil

Apesar do gol de mão de Maradona, foi a primeira conquista legítima argentina. Apesar de mais um vice-campeonato, a seleção alemã ocidental chega a sua quinta final, mostrando os resultados de investimentos capitalistas no esporte. E, no Brasil, a recessão econômica impediu que a competição se realizasse no país. Com a gradativa abertura política soviética, a Guerra Fria deixava de dar o tom na orquestra geopolítica mundial. Com a expansão automobilística nos países do Terceiro Mundo, as nações do oriente médio, grandes exportadores de petróleo, tornaram-se os maestros.


1990


Sede: Itália

Participantes: 24

Campeão: Alemanha Ocidental

Vice: Argentina

Posição do Brasil: Oitavas de final

Artilheiro (Gols): Salvatore Schillaci (6) - Itália

Média de Público por partida: 48 mil

Por mais que a motivação de revanche não seja descartada, a conquista da Alemanha capitalista está intimamente relacionada com as repercussões da queda do muro de Berlim no ano anterior. Durante quase 40 anos o povo e território alemão foram divididos em dois mundos opostos pelo sonho frustrado do socialismo e pela realidade cruel do capitalismo. A vitória alemã celebrou e constatou a vitória do capitalismo na Guerra Fria, ao mesmo tempo em que expôs sua perversidade observada pelas economias frágeis dos países do Terceiro Mundo, tal como o Brasil.


1994

Sede: Estados Unidos

Participantes: 24

Campeão: Brasil

Vice: Itália

Artilheiro (Gols): Salenko (6) - Rússia e Stoichkov (6) - Bulgária

Média de Público por partida: 68,9 mil

A maior Copa do Mundo até hoje. Recorde de público, com mais de 3,5 milhões de torcedores. Seleções de etnias, línguas, culturas e história muito diferentes reunidas na "terra da liberdade". Espetáculo e recorde para cobertura televisiva. O futebol tornou-se o terceiro negócio mais lucrativo do mundo, perdendo somente para o tráfico de armas e drogas. Esta foi a última seleção brasileira composta por atletas que atuam em sua maioria no Brasil.



25/03/2010

Football, a revista que faltava à grande paixão


O Brasil ganha, em 5 de abril, uma revista destinada a tratar o futebol com a elegância de uma jogada de Pelé e com a arte de verdadeiros craques da bola e do jornalismo. Não é uma simples revista de futebol. Seu nome, Football, é uma homenagem aos inventores do esporte mais amado do mundo, mas com estilo diferente de tudo aquilo que já foi feito até agora. Uma revista de luxo: nos textos, nas fotos, no projeto gráfico. Em cada edição, novas surpresas.

O fato de Football ser lançada em ano de Copa do Mundo é simples coincidência. Não só a Copa de 2010 e outras Copas fazem parte das atrações de Football já em sua primeira edição. A nova revista, bimestral, tem assuntos para atrair a atenção dos leitores a cada edição. Cada exemplar resistirá ao tempo, como um poema aos dribles de Garrincha ou a recordação de um grande jogo, de uma bela conquista ou de uma inesperada derrota.

Há derrotas que ficam na história como exemplos de dignidade. Um exemplo: a da seleção brasileira diante da Itália por 3 a 2, no Estádio Sarriá, em Barcelona, em 5 de julho de 1982. O jornalista Alberto Helena Júnior estava lá e, como o Brasil inteiro, ficou triste. Na edição número 1 de Football, ele revive detalhes daquele jogo em que um dos melhores times de todos os tempos foi eliminado da Copa e traça um perfil de Paolo Rossi, autor dos três gols italianos. O fotógrafo Reginaldo Manente, então também no Sarriá, registrou os gols em campo, mas foi com a lendária foto de um garoto chorando na arquibancada que ele ganhou o Prêmio Esso. A revista foi ouvir Manente. Nesse conjunto, não poderia faltar um passeio fotográfico pela linda Barcelona.

Ademir Menezes, o Queixada, grande goleador que jamais foi campeão mundial e que estava no Maracanazo de 1950, tem seu perfil revivido no texto criativo de Moacir Japiassu, diretor de Redação de Football.

Mas será que essa revista vai falar apenas de personagens das decepções do Brasil?

Não. Em Football, não há temas proibidos, não há rancores a serem escondidos, não há ídolos sepultados por uma derrota. E o destaque pode ser de um goleador ou de um dirigente. João Havelange, o brasileiro que dirigiu a Fifa por 24 anos, é matéria de capa. Não foi ele quem derrubou tabus e idealizou uma Copa do Mundo na África? Texto de Ernesto Rodrigues.

Nas páginas da revista, a alegria conquista espaço. Em cada edição, haverá perfis de personagens que marcaram a história da bola dentro e fora do campo, entrevistas exclusivas, minibiografias de técnicos e jogadores, histórias incríveis do futebol, gastronomia, turismo. Claro: sempre tendo como pano de fundo uma sede de Copa do Mundo. A África do Sul está na edição de estréia, com sua paixão pelo futebol e suas incríveis paisagens, por conta do fotógrafo Cleber Bonato. Lá, Bonato conheceu as obras dos estádios africanos e descobriu, no reino de Bafokeng, um inédito projeto de educacional para crianças carentes, ministrado por brasileiros que trabalhavam com futebol em pequenos clubes do Rio de Janeiro.

Football traz ainda uma seção de produtos associados ao esporte, as partidas inesquecíveis, os grandes erros da arbitragem e a opinião de colunistas colaboradores de peso.

Na seção Mantos Sagrados, são mostrados os uniformes mais belos do mundo e a história dos clubes que os criaram.

Qual é o Time dos Sonhos? Numa seção com esse nome, surgem opiniões de gente interessante. A estréia conta com o piloto Rubens Barrichello e os empresários Marco Antônio Bologna e Paulo Kakinoff, que dão seus palpites. No final de 2010, será escolhido o melhor time.

O lançamento de Football está marcado para 5 de abril, às 19 horas, no Estádio do Morumbi. As lojas LaSelva dos aeroportos começarão a vender a primeira edição logo em seguida.

Revista Football

Publicação bimestral da j&p comunicação

Páginas: 132

Impressão: IBEP

Preço: R$ 19,25

Sergio Monte Alegre

THE WINNER PRESS SERVICE

FONE: (11) 3502-2919

Release recebido por Celso Unzelte.

24/03/2010

A melhora da morte


Já estamos completando um quarto de 2010 e muitas expectativas sobre o futebol vem se revelando grandes frustrações. Esta é uma história triste protagonizada por um talismã, um artilheiro, um torcedor e um fenômeno. Quatro personagens que parecem ter algo em comum.

O talismã

Petkovic terminou a temporada passada eleito um dos melhores, senão o melhor, meia atacante do campeonato brasileiro. E como se não bastasse, tornou-se um dos ícones da conquista flamenguista do hexacampeonato brasileiro. Pet que vinha distante dos palcos do futebol de alto nível voltou ao Flamengo por meio de um acordo financeiro que quitaria as dívidas do clube com o jogador.

O resultado final de 2009 foi excelente para os dois. Poucos meses depois o cenário é outro. Após desentendimento com o vice de futebol Marcos Braz, Pet foi afastado e desde o seu retorno ao time, não tem garantido a titularidade, e tampouco o bom futebol. Por outro lado, antes do entrevero com Braz, o meia sérvio já não estava jogando bem.

O artilheiro

Dodô é o artilheiro dos gols bonitos e faz jus ao nome. São Paulo, Santos, Palmeiras, Goiás, Botafogo, Fluminense e agora Vasco. Um baita currículo, sem dúvida. Sua última passagem mais expressiva havia sido o Botafogo, mas foi no Fluminense, em 2008, que atravessou o momento mais difícil de sua carreira. Pego no doping e suspenso por dois anos. Dodô não se abateu e perseverou.

No dia 24 de janeiro deste ano recebeu sua recompensa. Hat-trick (três gols marcados pelo mesmo jogador) de Dodô contra o Botafogo na goleada vascaína por 6 a 0. Dodô voltou a brilhar e seus gols bonitos eram ansiosamente aguardados pela torcida luso-carioca. A memória do futebol, pra sorte de Dodô, havia preservado a imagem do artilheiro dos gols bonitos. Mal sabíamos que as lembranças do Dodô no Santos, sobretudo, retornariam com força máxima. Há duas semanas, na derrota vascaína para o Flamengo, o goleiro rubro-negro Bruno pegou dois pênaltis batidos por Dodô. O artilheiro dos gols bonitos e dos pênaltis perdidos faz jus ao nome.

O torcedor

Ídolo incontestável. Querido pelas torcidas rivais, inclusive. Exemplo de simpatia em meio às inacessíveis celebridades do futebol. Humilde nas falhas que comete e sincero nas críticas que aponta. O herdeiro legítimo de uma linhagem fina de guardametas palestrinos e eterno "São Marcos" de todos brasileiros que assistiram a Copa do Mundo de 2002. Marcos é incontestável.

Viveu uma carreira completa de lesões. Por isso não teve chances de chegar perto de Leão que chegou a marca de 617 partidas disputadas com a camisa do palmeiras. Mas Marcos foi fiel, ainda que seja uma palavra complicada no manto verde. Marcos é incontestável. Leão vestiu o rival alvinegro em 1983. Marcos nunca abandonou o Palmeiras, mesmo diante do rebaixamento. No último ano, parecia que finalmente o Palmeiras sairia de uma fila de 10 anos sem títulos expressivos – o Palmeiras ganhou os extintos Rio-SP e Copa dos Campeõs em 2000, e o Paulistão de 2008 – com atuações eficientes e seguras, sobretudo pelo bom campeonato que o experiente arqueiro desempenhava. Mas o Palmeiras patinou, derrapou, saiu da pista e não conseguiu se reencontrar e acabou nem se classificando para a disputa da Taça Libertadores da América. A qualidade do goleiro Marcos acompanhou a qualidade do time. E acima de tudo, Marcos tem se desequilibrado, enfrentado críticas com muita agressividade e despejando reclamações para todos os lados, inclusive seus companheiros de clube. Agora, no campeonato paulista de 2010, o Palmeiras só se classifica para as semifinais com um milagre improvável. Desta vez o São Marcos não tem como salvar os alviverdes. Desta vez, é só Marcos mesmo, e ele, apesar de ser o torcedor palmeirense em campo não é mais tão incontestável.

O fenômeno

O maior artilheiro das Copas. Campeão do Mundo. Campeão europeu, espanhol, holandês, mineiro, paulista e da Copa do Brasil. Quase 500 gols e uma coleção de lesões, polêmicas e reviravoltas. 2009 seria um ano fenomenal. E foi. Até 1 de julho. Talvez um pouco mais, mas não muito mais. Data a final da Copa do Brasil, o primeiro troféu nacional de Ronaldo e o objetivo do Corinthians de 2009 cumprido: a vaga para a disputa da Taça Libertadores da América de 2010, no ano do centenário do clube.

Ronaldo foi decisivo no primeiro semestre do ano passado. Convincente e eficiente. Na reta final do campeonato paulista, fez até gol de placa. O "Ronaldo Gordo" deixou de ser uma ofensa agressiva e passou a compor o repertório da fala dos torcedores corinthianos com certo ar de deboche com os adversários: "não agüentam o pique do gordinho?", ou "mesmo gordo ele é o fenômeno!". Assim se viu até a disputa do brasileiro do mesmo ano. Junto com o Corinthians, Ronaldo foi burocrático e só não terminou em frustração maior o fim de 2009 porque a expectativa e o discurso de todo o Corinthians e o Ronaldo girava em torno "da conquista da América no ano do centenário". O ano de 2010 chegou e Ronaldo marcou somente 1 gol, no sofrível empate por 1 X 1 com o Mirassol jogado no Pacaembu. Mais que isso, o time não deslanche, é verdade. Mas o decisivo e fenomenal jogador participa pouco do jogo, erra passes, domina com lentidão, e o pior, perde gols, muitos gols.









Todos estes personagens tem algo em comum. A idade. 37, 35, 36 e 33. Muito se falou sobre os veteranos do futebol e quanto ainda eles ainda poderiam render em alto nível. Não há dúvida que a idade não é fator determinante para o bom rendimento do atleta. Rogério Ceni, com 37 anos, mantém boa regularidade e não deve deixar os gramados tão cedo. Zidane protagonizou uma final de copa do mundo com 34 anos. No entanto, estes atletas que vinham de um ostracismo boleiro, e deram a volta por cima, parecem não conseguir manter o brilho que os tirou das trevas do esquecimento ou da fosca desconfiança. Parecem ter dado um último suspiro, o último esforço pela glória. Alguns até conseguiram algum crédito, ainda que temporário. Outros nem isso. É com muito pesar que vejo estes ídolos se despedindo do futebol. Tomara que eu esteja errado.